O passeio crítico “Caminhar é um ato político” foi uma ação realizada dentro da programação da exposição APARELHO. Uma parceria entres os coletivos MAAD e Interstruct Collective, e colaboração de Orlando Vieira Francisco.

Desde 2012, quando pela primeira vez o Porto foi eleito como melhor destino europeu que a cidade tem sofrido uma série de alterações na sua paisagem urbana (e não só) de modo a dar resposta ao grande fluxo turístico. Neste contexto há todo um discurso identitário nacionalista que é vendido como experiência histórico-cultural – very typical – fomentado por estratégias de marketing da indústria do turismo.O discurso do tradicional e típico é então apresentado ao turista sem qualquer tipo de problematização, disseminando assim uma visão portuguesa ainda fundada no orgulho colonial. Esta visão fascista manifesta-se espacialmente em diferentes marcos da paisagem urbana, desde monumentos de arte pública a nomes de ruas, serviços e comércio. A presença de tais elementos, que normalizam a visão de um Portugal imperialista e colonial dito como um passado glorioso, é exemplificativa também da recusa em reconhecer uma série de violências e opressões que fundamentam esse imaginário coletivo manifestas até hoje em forma de racismo, machismo, xenofobia, glotofobia e aporofobia.”

Coletivo MAAD + Orlando Vieira Francisco.

Pontos de reflexão:

  • Porque caminhar é um ato político?
  • Como a configuração do espaço público / e os seus usos refletem narrativas de poder?
  • Que leituras podemos extrair dos marcos da paisagem urbana? (Monumentos, estatuária, elementos de comunicação/merchandising, toponímia, o próprio desenho urbano…)
  • Entre “representatividade, colonialismo e poder”, os casos da “Loja Oriental”, os vitrais do McDonalds dos Aliados, o Café Guarany, o mural “O melhor café é o da Brazileira”, “O monumento dos esforço colonizador Português”,entre outros…
  • Partindo da análise de alguns elementos da  toponímia portuense questionamos como a experiência do espaço público em determinados locais da cidade pode variar a partir das subjetividades que se movem e ocupam estes mesmos espaços considerando parâmetros como raça, gênero, classe, nacionalidade, orientação sexual. Neste contexto questiona-se quão representativo e inclusivo é o espaço-público? Como se dá a sua produção? E quem ela representa?

A proposta assim se desenvolve a partir de uma caminhada pela cidade do Porto onde os participantes poderão identificar estes marcos/locais, conhecendo as narrativas que os fundamentam, entendendo o seu contexto de origem para que se discuta o que representam hoje.

 

ACRESCENTAR IMAGENS FLYERS EXPO E LINK PARA MAIS INFO

 

Category
Tour Decolonial